António Patrício lança “Entre Margens”

A Biblioteca Municipal Albano Sardoeira convida para dois eventos que terão lugar a 9 de Junho, sábado. Às 15:30 será inaugurada a exposição de fotografia “A criança sob o olhar de Eduardo Teixeira Pinto” e às 16:00 terá lugar a apresentação do livro “Entre Margens”, de António Patrício.

Este é o sexto livro do “Chefe Patrício” (assim conhecido por ter dirigido durante mais de duas dezenas de anos o Agrupamento de Escuteiros de Amarante) que deu já à estampa: "Caminhada" (1997); "Por Montes e Vales" (2001) "Gatão" (2005) "O Fim da Estrada" (2006), "Lendas de São Gonçalo e de Amarante" (2009) e “Quadras Brejeiras a S. Gonçalo” (2011).
 

A fotografia de Eduardo Teixeira Pinto vista por António Cardoso

“A fotografia do Eduardo percebe-se bem no contexto amarantino, no fazer e refazer quotidiano (no espaço familiar) e na busca incessante das temáticas locais, nas quais avultavam a Natureza e seus disfarces, com o rio travestido, em vários momentos, e a paisagem, do vale à serra habitada ou silenciosa como a noite.

Mais uma vez se suscitam o desafio e a resposta que estão na génese das obras do Eduardo. A paisagem é o leit-motiv de uma obra intensa e sensível que ultrapassa a visão retiniana e lhe acrescenta os valores do enquadramento, dos tempos de exposição, nos tons delidos dos nevoeiros e nas árvores liquescentes, contracampo dum primeiro plano desenhado, explícito, com as guigas no seu rio e o silhuetado dos personagens.

Mas o Eduardo abordaria, ainda, outras temáticas, registando aspetos monumentais e patrimoniais (fugindo ao imediatismo do pitoresco), cultivando o retrato como documento coletivo e registou o quotidiano das crianças, numa cumplicidade de olhares afetivos.

Há pequenos sinais de um vago neo-realismo (que, de facto, não lhe interessara ou dele soubera) com “O rapaz da roda”, os dois rapazes descalços e roupas desajeitadas, felizes, todavia, no espanto e no olhar risonho...

Os títulos acentuam a matreirice, a ambiguidade, o humor contido ou um imaginário doméstico, sempre com a mesma mestria com que dominava os sucessivos planos ou a cabeça desgrenhada, de olhar penetrante, quase escultórica, apoiada sobre a mão de mármore da eternidade... Algumas das obras do Eduardo estão em permanência no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, com o alcance que a musealização proporciona e elas merecem”.

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