Armindo Abreu diz sentir-se "desrespeitado pelo Governo".

O presidente da câmara de Amarante, Armindo Abreu (PS), disse esta quinta-feira à agência Lusa sentir-se "desrespeitado pelo Governo" no processo de encerramento da Linha do Tâmega.

"Sinto-me desrespeitado, porque deveria ter sido informado previamente pelo Ministério das decisões", afirmou.O presidente da autarquia reafirmou que aguarda desde o Verão para ser recebido pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, sem  que até hoje haja resposta do seu gabinete. "Lamento muito a forma como o senhor secretário de Estado tem gerido este dossiê sem nos dar qualquer informação", acrescenta o edil.O único troço da linha do Tâmega que ainda se mantinha com circulação regular foi encerrado no final de Março de 2009 com o argumento de que eram  necessárias obras de requalificação.Poucos dias depois, a então secretária de Transportes, Ana Paula Vitorino, deslocou-se a Amarante, onde garantiu aos autarcas da região, incluindo o de Marco de Canaveses, concelho também servido pela linha, que a infra-estrutura voltaria a funcionar.A secretária de Estado foi recebida nesse dia em Amarante com protestos da população que temia que o anúncio das obras justificasse apenas o encerramento do troço.Os carris da linha desde Amarante até à Livração (Marco de Canaveses) foram levantados nos meses seguintes, mas a obra de requalificação nunca mais avançou com o argumento da crise orçamental, assumido em Julho de 2010 pelo Governo.Já nessa altura, numa reação à decisão da tutela, o autarca de Amarante, assumia à Lusa "estar estupefacto, porque havia compromissos solenes de  membros do Governo"."Vou pedir com carácter de urgência uma audiência com o senhor ministro das Obras Públicas para lhe manifestar o nosso profundo descontentamento", afirmava à Lusa o autarca socialista. Oito meses depois, Armindo Abreu ainda não obteve resposta aos pedidos de audiência, afirmando "estar de mãos atadas neste processo", aguardando pelo novo Governo para procurar perceber o que se perspectiva para a Linha do Tâmega.Dois anos depois do encerramento da ligação ferroviária centenária,  Alfredo Gonçalves, porta-voz da Comissão de Defesa da Linha do Tâmega, lamenta o que se está a passar.Em declarações à agência Lusa, "lamenta que tudo tenha sido tratado  nos gabinetes para que ninguém soubesse o que se estava a decidir".O representante da comissão lembra que, em Março de 2009, alertou que o anúncio de obras na linha e a consequente suspensão de circulação por dois anos "era apenas para iludir e enganar a população"."Já se sabia que eles queriam encerrar a linha", vincou.

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