Seminário "Revisitar 25 anos de história da Serra do Marão"

Seminário revelou memórias do incêndio de 1985 no Marão e os principais desafios

"Em boa hora juntámos as instituições para, em conjunto, reflectirmos sobre a prevenção dos fogos florestais e a lembrança da tragédia que aconteceu há 25 anos. Chegados aqui, devemos, hoje, constatar com alegria que o caminho percorrido em termos de prevenção e de combate foi um caminho árduo, mas que deu frutos", disse o Presidente do Município de Amarante, Armindo Abreu, na cerimónia de abertura do seminário "Revisitar 25 anos de história da Serra do Marão: memórias e desafios", que decorreu nos dias 7 e 8 de Janeiro.

Na análise dos 25 anos, após o incêndio de 1985, o autarca considera que muito trabalho há, ainda, a fazer no âmbito da protecção, planeamento, prevenção, e ataque aos incêndios florestais. Rever toda a organização florestal, designadamente a Lei de baldios e o direito de propriedade, foi uma das questões abordadas pelo Presidente do Município que salientou a necessidade de "voltarmos à terra, às actividades florestais, às actividades agrícolas. O sector primário pode também ter o significado de sector primeiro", acrescentou.

Isabel Santos, Governadora Civil do Porto, falou da importância do evento, ainda mais por 2011 ser o Ano Internacional da Floresta. Identificada como um dos pilares de desenvolvimento económico do nosso país, a floresta surge, nas palavras da Governadora Civil, como "um dos factores sustentados e sustentáveis numa estratégia de desenvolvimento". A importância da criação de um novo modelo de florestas, mais rico, com o regresso de espécies autóctones; a aplicação de uma metodologia de combate a incêndios assente na introdução de câmaras técnicas no rescaldo de incêndios florestais (elemento inovador a nível mundial), utilizado pela primeira vez no distrito do Porto; a criação de uma central de biomassa, de um banco de mão-de-obra e de um banco de terras foram algumas das linhas estratégicas apontadas.

Em jeito de conclusão, Isabel Santos defendeu que a aposta futura deverá assentar no trabalho de prevenção, na mudança de mentalidades/atitudes, no estímulo ou gestão activa da floresta.

Relembrado o incêndio que deflagrou na Serra do Marão em 1985, retiradas as lições e apontadas as boas práticas e desafios no que aos incêndios florestais dizem respeito, seguiu-se, no dia 8, o debate em torno das estratégias de defesa da floresta contra incêndios.

De referir que o seminário resultou da organização conjunta do Município de Amarante com o Município de Baião, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

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