No âmbito do festival literário “Escritaria” Município de Amarante associou-se à homenagem prestada a Agustina Bessa-Luís

 O vereador com o pelouro da Educação, Abel Coelho, participou, a 15 de Outubro, em Vila Meã, na abertura da iniciativa “Escritaria”, organizada pela Câmara de Penafiel que, este ano, homenageia Agustina Bessa-Luís.

O “Escritaria” começou no pátio da casa onde nasceu, há 88 anos, a autora de “Sibila” com a leitura de textos seus, seguindo-se uma sessão solene no auditório da extensão da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira em que, para além de Abel Coelho, participaram Alberto Santos, Presidente do Município penafidelense e António José Queirós, amigo de Agustina, que deu testemunho do seu convívio com a escritora ao longo de vários anos, narrando episódios do seu carácter, do seu apego à literatura e à terra onde nasceu.

Na sua intervenção, Abel Coelho, começou por dar conta da satisfação da Câmara de Amarante pelo “início da homenagem a Agustina em Vila Meã, terra que teve privilégio de ver nascer há 88 anos aquela que viria a ser um dos maiores vultos vivos e históricos da cultura e da literatura portuguesas”.

E acrescentou: “No Município de Amarante já, há anos, consagrámos Agustina Bessa-Luís como cidadã de honra do Município, atribuindo-lhe a respectiva medalha de ouro por altura do cinquentenário do início da sua obra literária e, hoje, não podíamos deixar de colaborar neste acto de tributo à figura e à sua obra, sobretudo à obra que é isso que está em causa, desta grande escritora que engrandece o património que é a língua portuguesa”.

Para Abel Coelho, Agustina Bessa-Luís “não é uma pessoa de Vila Meã é uma pessoa de Amarante, de todo o país, mas é sobretudo uma pessoa do mundo pela sua obra e grandeza”.

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922, descendente, por parte da mãe, de uma família espanhola de Zamora e, por parte do pai, de uma família de Entre-Douro e Minho, região onde viveu a infância e a adolescência, e que marcaria profundamente a sua obra.

Filha de um jogador e empresário de cinemas e casinos, cedo se deixou viciar pelo romance, iluminada roleta dos comportamentos humanos. Em menina, simultaneamente mimada e abandonada pelos adultos, lia muito, e com inteira liberdade – até porque, segundo recordava, as atenções dos pais convergiam para a superior importância da educação do filho varão.

Apresentou -se como ficcionista aos 26 anos, em 1948, com a novela Mundo Fechado, que enviou aos escritores então mais famosos: Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Miguel Torga e Teixeira de Pascoaes. Responderam -lhe, nas suas palavras, “com entusiasmo”; Pascoaes tratou -a de imediato por “muito ilustre camarada” e escreveu-lhe: “Trata -se de uma escritora de raça, dotada de excepcionais qualidades visionárias.

Mas foi com o profético título A Sibila, de 1954, galardoado com o Prémio Delfim Guimarães e com o Prémio Eça de Queirós, que Agustina se tornou uma referência essencial da ficção contemporânea. Entre 1961 e 1962, representou Portugal na Comunidade Europeia dos Escritores.

Cruzando múltiplos géneros literários (do ensaio à biografia, do teatro à crónica, da narrativa de viagens à literatura juvenil), construiu uma visão do mundo poderosamente original, integrando intuição e racionalismo numa espécie de sabedoria capaz de captar a essência da sua época.

Todos os seus livros abordam o tema da voz individual que se recorta contra uma dada ordem social, os escolhos do Poder e a sua erótica. Disse muitas vezes que, se não fosse escritora, teria sido uma óptima política talvez até primeiro-ministro.

A tentação da acção política acompanhou, aliás, a sua vida: em 1969, tentou ser deputada à Assembleia Nacional, na “ala liberal”, ao lado de Francisco Sá Carneiro e de Leonardo Coimbra, vendo o seu nome sucessivamente vetado.

Em 1986, foi mandatária nacional da candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República. Livre pensadora e afirmando reger-se pelas qualidades humanas e não pelas ideologias, apoiaria posteriormente os candidatos Jorge Sampaio e Cavaco Silva.

O gosto pela intervenção activa sobre o seu tempo levou-a às páginas dos jornais, em crónicas extraordinariamente argutas, muitas vezes provocatórias.

A vocação para a acção pública conduzi-la-ia também à direcção do jornal O Primeiro de Janeiro (1986 -87), e, depois, à direcção do Teatro Nacional D. Maria, sob a égide de Santana Lopes. Nessa época (1993 -94) foi também membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

No referendo de 2007, apoiou o movimento pelo sim à interrupção voluntária da gravidez. Vários dos seus romances foram adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira: Fanny Owen (Francisca), Vale Abraão, As Terras do Risco (O Convento), Party, o conto A Mãe de Um Rio (no filme Inquietude), O Princípio da Incerteza I — Jóia de Família e A Alma dos Ricos (Espelho Mágico).

Em 2008, o romance A Corte do Norte foi adaptado ao cinema por João Botelho. Homenageada em múltiplos países e universidades, condecorada por Portugal e pela França e traduzida em várias línguas, a Escritora foi já distinguida por todos os prémios nacionais de literatura e vários internacionais – tais como o Prémio Internacional União Latina, com Um Cão Que Sonha (1997), ou o Prémio Camões (2004).

 

In:cm-amarante

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