Achères celebrou 15º aniversário da geminação com Amarante

Uma delegação do Município de Amarante, chefiada por Armindo Abreu, e que incluía o Presidente da Assembleia Municipal, Pedro Cunha, bem como os vereadores Octávia Clemente e Jorge Mendes, esteve em Achères no último fim-de-semana de Maio, quando naquela cidade francesa se comemorava a festa do Pentecostes.

Uma delegação do Município de Amarante, chefiada por Armindo Abreu, e que incluía o Presidente da Assembleia Municipal, Pedro Cunha, bem como os vereadores Octávia Clemente e Jorge Mendes, esteve em Achères no último fim-de-semana de Maio, quando naquela cidade francesa se comemorava a festa do Pentecostes.

A deslocação foi feita a convite do maire local, Alain Outreman, no âmbito da celebração do 15º aniversário da geminação Amarante-Achères, cujo protocolo foi assinado em 18 de Maio de 1997. Uma data que Armindo Abreu considerou, no discurso que proferiu na cerimónia evocativa da geminação, “inesquecível”.

“Cumpridos 15 anos, afirmou o Presidente da Câmara de Amarante, devemos perguntar-nos se a geminação está a valer a pena”.

“A minha convicção profunda, disse, é que tem valido a pena! Do ponto de vista da administração pública local, as deslocações das diversas delegações de eleitos amarantinos a Achères e o seu contacto com esta realidade constituiu uma fonte de inspiração valiosa em vários domínios”, entre os quais citou a educação e as políticas de juventude.

E acrescentou: “Do ponto de vista da sociedade, foram dados passos importantes ao cada vez melhor conhecimento mútuo da comunidade amarantina e achèroise, materializado em ações várias que conseguimos realizar: encontros desportivos e culturais, visita de jovens de Achères a Amarante, participação de atletas amarantinos em passeios de Achères a Grosskrotzenburg, visitas culturais e turísticas de pessoas de Achères a Amarante e à sua região, visitas de cidadãos Amarantinos a Achères. Enfim, conseguimos nestes quinze anos estabelecer relações de simpatia e amizade não só entre os eleitos, mas também entre cidadãos das nossas cidades”.

Considerando que o destino de Achères deixou de ser indiferente a Amarante, como o destino de Amarante deixou de ser indiferente a Achères, Armindo Abreu haveria ainda de considerar que as duas comunidades são, hoje, muito mais amigas e solidárias entre si “e é por sentir que assim é, enfatizou, que estou aqui, perante vós, cheio de alegria e convicto de que todos os objetivos que determinaram a geminação entre as nossas cidades se vão cumprindo”.

 

Achères – um pouco de história

A história da Cidade de Achères está intimamente ligada à sua situação geográfica e geológica.

Situada a 20 quilómetros de Paris, numa extensa planície, rodeada pelo rio Sena, a quase totalidade do território está assente em aluviões quatrocentistas, constituídos essencialmente por gravilhas e saibro, coberto por parcelas de solo muito férteis.

A boa qualidade do solo aliada à proximidade da água favoreceu, durante muito tempo, o desenvolvimento da agricultura e a implantação de grupos humanos. Os vestígios da primeira ocupação do território de Achères remontam à época paleolítica: sílex datados desta era foram descobertos no final do século XIX. Mais recentemente foram descobertos outros, atribuídos à época neolítica.

Apesar dos testemunhos que nos chegaram até hoje não serem conclusivos quanto à existência de um habitat, nos primórdios foi, possivelmente, ocupada por uma comunidade rural galaico- romana.

A primeira referência à cidade de Achères remonta ao século X com o nome de Villam Apiarias (Vila das Colmeias, no ano de 990), fazendo alusão a uma tradição local de produção de mel. Esta tese é posteriormente confirmada por uma carta de Filipe I, datada de 1061, onde é referida a questão das “abelhas de Achères”. O topónimo Achères deriva possivelmente da palavra do velho francês Aschier que significa colmeal. Mais tarde, o nome da vila terá evoluído para Acheriis (1060), Achers (1180), Acherie (1250), Acherias (derivado de Acheriis, em 1327) e Aschierres (1370).

Entre os feitos marcantes da história da cidade, há a salientar a construção, em 1670, do forte de São Sebastião destinado à educação do filho primogénito de Luís XIV, o qual se situava na extremidade oeste no território atual. Atualmente destruído, este forte, de plano poligonal, foi, sensivelmente até ao final do século XVII, palco de manobras militares. O ano de 1882 marca o início de um período muito importante para a cidade. A vida local, fortemente marcada pelo ritmo sazonal, ligada a uma vocação essencialmente agrícola, entrará na história do século XX. Vai chegar o caminho de ferro e com ele chega também o emprego para centenas de operários.

Assim, entre 1880 e 1940 tendo a ver, direta ou indiretamente, com os trabalhadores ferroviários com as suas famílias, a população de Achères quadruplicou.

Hoje, Achères tem uma população cerca de 18000 habitantes, sendo que à volta de 2000 são portugueses e, destes, a maioria oriundos de Amarante. Mas a cidade não acolheu apenas portugueses: ali vivem também espanhóis, italianos, polacos, argelinos, tunisinos…, numa mistura de culturas e identidades que, constituindo uma rica paleta de cores, exige, também, um agudo sentido de coabitação.

Para a existência de harmonia e coesão numa comunidade com culturas tão diferentes, a mairie local tem seguido uma estratégia de expressão da diversidade, promovendo o associativismo, estimulando a auto-estima e o direito à diferença e juntando todos em manifestações comunitárias como são a Festa da Amizade, das Margens, do Pentecostes (as maiores da cidade), ou instituindo o dia das associações, em que cada nacionalidade mostra a sua cultura e tradições.

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